Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de junho de 2011

Crepúsculo dos Deuses

Neste poste, divido com vocês minhas anotações da aula sobre o filme "Crepúsculo dos Deuses" do primeiro módulo (O Perspectivismo) do curso de História da Filosofia em + 40 filmes, para abrir o poste, selecionei o Trailer do filme, não é o oficial e infelizmente não tem legenda, mas resolvi postar mesmo assim porque achei este mais completo, porque oferece algumas informações sobre os atores. Para quem já assistiu ao filme ou pretende assistir fica fácil entender.

Aproveito ainda, para passar o link para fazer o download do filme:




Billy Wilder (1906-2002)

Polonês e Judeu, foi para a Alemanha para viver de cinema, mas teve de fugir para Hollywood na segunda guerra, quando perde seus pais em Auschwitz. Torna-se o principal nome do cinema hollywoodiano de seu tempo.

Filmografia:

Farrapo humano (1945)
O pecado mora ao lado (1955)
Quanto mais quente melhor (1959)
Beija-me idiota (1964)
Amigos amigos, negócios a parte (1981)
 
O filme: Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard - 1950)
Sombrio e cômio, marcado por diálogos ágeis e cínicos, construindo um retrato específico do fracasso e dos projetos que somos: Heidegger e Sartre - a vida é um projetar-se, a doação de sentido é como um tijolo mas a construção é passível de ruína. Vemos no filme uma mansão em ruínas, Norma, a dona da casa tem seus projetos em ruínas, por isso sempre está a beira do suicídio, despencando do que pensa ser.
O filme nos conta uma historia a partir de um ponto de vista privilegiado. Gilles, o narrador personagem, nos apresenta a sua versão dos fatos, e os personagens todos são versões de como ele percebe os outros. Os personagens estão em função de um mesmo.

O filme pode ser dividido em três perspectivas

I. Perspectiva de Wilder:

O diretor afirma que com este filme ele quis “retratar a vida em Hollywood”. Wilder não atribui adjetivos ao retrato que apresenta, apenas mostra os efeitos desse ambiente nas pessoas. Outra frase do diretor nos dá a dimensão do que ele quis mostrar:  “em Hollywood os sonhos se realizavam ou morriam”.
Sonhos são projetos e a morte deste é a morte do homem, portanto, nada melhor que um morto como narrador. A pergunta do filme é: “até que ponto estamos dispostos a chegar?”

Entrelaço ficção e realidade – a realidade (do / no) filme:

O filme retrata a decadência da Hollywood do tempo do diretor. Foram usadas locações reais, que de fato possuíam a áurea do filme:

O casarão que vemos possuía intimamente o contexto do filme, inclusive a dona verdadeira do casarão era como a dona da casa no filme. Os estúdios que são apresentados eram de fato estúdios da Paramount, e De Mille, que representa a si mesmo como o maior diretor da época, realmente estava filmando Sansão e Dalila (um filme dentro do filme). 

Gilles, quem nos narra suas memórias póstumas, seria uma versão de Wilder fracassado, que se une aos restos de sonhos (Norma) em nome da sua ganância. Wilder foi Giles até certo ponto, o diretor vingou mas seu personagem não. Na Alemanha, Wilder era um jovem querendo fazer seus filmes, impossibilitado, ele saia com velhas ricas para manter certa posição.

William Holden que interpretou Gilles: era um ator de filmes menores, mas chega a ganhar notoriedade a partir desse filme, onde, de certo modo, interpretava a si mesmo.
Gloria Swanson que interpretou Norma: tal como no filme, foi uma grande estrela do cinema mudo, e assim como muitas, perdeu espaço na era do cinema falado, por conta das performances carregadas. Entretanto a atriz não estava no ostracismo, era ativa, fazia programas de rádio.

Stroheim que interpretou o mordomo Max: foi de fato um gênio que nunca se realizou por completo, fez historia no cinema com clássicos como "Coração da humanidade (1918)""Agrande ilusão (37)"

Assim como no filme, o Stroheim, como diretor, fez de Swanson uma estrela do cinema mudo, dirigindo-a em filmes memoraveis, inclusive, quando a personagem Norma assiste a um de seus filmes com Gilles, a cena que vemos é do filme “Minha Rainha” dirigido por Stroheim, o fracasso que sepultou Swanson, depois deste filme diretor e atriz, que eram casados (assim como no filme de wilder) só voltaram a se falar para fazer Crepúsculo dos Deuses, redendeu a ela uma indicação ao oscar de melhor atriz em 1951. 
 
Hedda Hopper: de fato uma fofoqueira social, por isso dá a noticia da morte de Gilles no fim do filme

Bonecos de cera: tem uma intenção ambígua, pode soar como homenagem ou cínico, uma ode, ou ódio, mas de todo modo mostra a marginalização do cinema mudo.
1.Keaton: diretor que fez em “O homem das novidades” o mesmo que Wilder em Sunset Boulevard, acaba com sua produtora 30 anos antes de Wilder acabar com a Paramount.
2.Chaplin: também está presente no filme como uma estrela esquecida .
3.Anna Nilsson: é uma pré Greta Garbo
4.Warner: fez o filme “Rei dos reis”, onde foi o personagem principal e só, mostra o stigma de personagens grandiosos de mais.

Vemos que o filme conta com a participação de grandes ícones do cinema, o que nos faz perguntar como estes puderam aceitar representar nesse filme, o mais ácido filme hollywoodiano sobre Hollywood.
 
II. Perspectiva do personagem narrador:

Walter Benjamim proclama a morte do narrador. Em uma leitura histórica, a morte abre novas narrativas e acaba com outras, pois, a oniciência é uma propriedade divina e por isso não existe, deste modo, a morte do “narrador” está vinculada a própria morte de Deus, qualquer outro narrador é parcial, e por isso, não pode dar a versão completa.
No filme há um narrador oniciente, mas que sabemos ser parcial, acirrando a falta de convivência entre as pessoas, nossas relações com os outros são relações virtuais, porque nos relacionamos com a versão que fazemos do outro.

A cena de abertura é uma provocação para a versão em retrospectiva, junta pontas e monta figuras tentando fechar a trama em um circulo, e para isso, manipula. Vemos o narrador em um circulo hermenêutico (revisionismo) sobre si, busca a compreensão de si; a valorização das experiencias (a comunicação na obra de arte).

Gilles narra os fatos em primeira mão, antes dos jornais (outras versões), conta o que se vê, e o que não se vê, a revelação de si entre o narrado e o omitido. Difere personagens e narrador mostrando-se perigoso e malandro que lança o anzol para fisgar Norma. No fim, vemos que a lógica se inverte, vemos norma enterrar seu animal de estimação (um chimpanzé) quando Gilles chega, seria ele o novo macaco, mas o dado nos escapa, porque o narrador nos manipula.

Quem pretende estrelar Salomé, é Norma, e é ela quem beija o morto, Gilles vira um marionete, e assim como ele a realidade está afogada no jogo das perspectivas, passa de macaco a vira lata sem passado (na fala de Max ao telefone). Gilles começa a falar de si na terceira pessoa, não sabe quem é. A personagem Betty é como a vida com quem ele sempre flerta mas não casa, abre mão do amor para ser gigolô, possui um desprezo por si mesmo, e Desprezo é um tema recorrente na linguagem de Wilder.
 
III. Visão de Norma (fora da realidade)

Norma é uma hipérbole com lente de aumento, vive em uma redoma de ilusão (Heidegger – ser no mundo e ser com). O personagem Max tenta manter o minimo de organização no mundo de Norma. Gilles morre por querer destruir a redoma/mundo de Norma, na ótica de Gilles ele a está salvando.

Max está tão comprometido com Norma, que ela passa a ser seu mundo, ela é seu projeto (Max fez de Norma uma estrela, manter a luz da estrala é seu projeto). A mansão é lunática, como a dona, exagerada. Em seu onírico retorno, Norma age como se estivesse em um filme, vive como quem contracena, defende o cinema mudo, assume falar com os olhos, que o cinema é mais cinema sem a voz.

Interesse e desejo: Niet e Freud – todos enxergam o que ela não vê, que o seu tempo já passou, mas Norma cria sentidos para se proteger, como o último a saber, não sabe porque não quer ver. Na cena em que Betty descobre o segredo Gilles, vemos que ela também escolhe o que quer ver, mas Gilles se remoeu, acreditando que ela precisava ver.

Sempre o último a saber, porque? Porque não quer saber, mostrando que serve pra todos e não somente para os loucos. A doutrina do ponto de vista (Ortega y Gasset) – o ângulo é a lei, não podemos subtrair o olhar. O crime de Gilles foi quebrar a redoma de Norma, ela não duvida do seu ponto de vista, se assim fosse morreria, ela mata Gilles para não morrer.

Nas cenas finais as câmeras dos jornais, aumentam o delírio de Norma, neste momento Max vira De Mille e de algum modo Norma se realiza. Hedda Hopper e o exercito sem coração vêm a noticia espetáculo mais importante do que a pericia médica.



“Ei la sobre as câmeras, a vida foi estranhamente piedosa com Norma. O sonho com o qual se agarra acabou por envolve-la”

Close up final, Norma fora de foco, sombria e assombrosa.
E como comentário pessoal, a atuação de uma estrela muda, que fala maravilhosamente!

*Anotações de aula; Alexandre Costa; Historia da filosofia em + 40 filmes


Peço desculpas pelo tamanho do poste, mas realmente é difícil resumir quando tudo o que se vê parece importante e interessante, ficarei feliz em receber comentários de quem tenha visto o filme e lido minhas anotações.
Seguindo o contexto do modulo Perspectivismo, nada neste poste foi retirado de minhas opiniões pessoais, tudo foi anotado durante a palestra. Caso haja alguma batatada de minha parte, nada mais é do que o efeito do meu modo de ler o mundo, intrinsecamente às minhas anotações, está a minha perspectiva disso tudo. 

domingo, 19 de junho de 2011

Historia da filosofia em 40 filmes e mais 40 filmes

De 16 de maio de 2009 a 28 de fevereiro de 2010, no caixa cultural, rolou um curso livre e grátis que através de 40 filmes fazia um apanhado da historia da filosofia. Eu fui rigorosamente em todos os sábados e assistir a todos os 40 filmes e suas palestras.

Interessante foi ver, os 388 lugares do cinema ocupados em todas as sessões de sábados frios de chuva fina, e de sábados quentes de verão e praia. Fosse como fosse estávamos lá, uma grande turma de desconhecidos que se reunião nos sábados religiosamente às 10 horas da manhã, tudo por um amor em comum, o cinema e a filosofia. Fiz amigos, vez por outra os encontro nos cinemas. Eu os vejo, e é certo, lembro-me desse ano tão especial.

Bom, fico feliz em contar que vamos nos reunir mais uma vez, por mais 40 sábados iremos a nossa, sempre santa, mesmo que e por vezes diabólica, igreja. A mostra-curso segue por nove meses, sempre aos sábados, discutindo os dez temas filosóficos escolhidos pelos curadores-palestrantes Alexandre Costa e Patrick Pessoa para esta segunda edição.

Começou no sábado passado, 21 de maio de 2011, o curso livre de Historia da filosofia em mais 40 filmes. E até dia 24 de março de 2012, no teatro Nelson Rodrigues, av. Chile, 230, próximo ao Metrô da Carioca, os filmes começam às 10h e 30min. Ao final da exibição de cada filme, Alexandre Costa e Patrick Pessoa, alternadamente, proferem uma palestra, ao final da qual abrem espaço para o debate com o público.


O novo curso, assim como a edição anterior, irá por em pauta temas filosóficos fundamentais, e vamos porder assistir diálogos de cineastas como Bergman, Bertolucci, Hitchcock, Fassbinder, Scola, Resnais, Saura, Fellini, Ozu, Kubrick, Cassavetes, Hirszman e Godard, com importantes pensadores, entre eles Platão, Descartes, Kant, Marx, Nietzsche, Benjamin, Heidegger, Sartre e Foucault. A entrada é franca e a programação riquíssíma, cheia de filmes que dão vontade de fumar, mesmo que você não saiba tragar.

Os novos módulos temáticos são: “O perspectivismo”, “A (Má) Educação”, “O Estrangeiro”, “O Conformista”, ”A Técnica”, “A Arte”, “A Guerra”, “O Velho Oeste”, “O Brasil” e “O Amor”. Vamos então refletir sobre diferentes disciplinas filosóficas, tais como a metafísica, a epistemologia, a ética, a política e a estética.

Abrindo a mostra temos a reflexão sobre “O Perspectivismo” que parte de um fragmento de Nitzsche que põe em xeque tanto a crença em uma realidade objetiva existente em si mesma, quanto a crença em uma subjetividade transcendental comum a todos os homens. Os quatro filmes que integram este módulo permitem compreender o alcance ético, estético e ontológico do conceito de perspectivismo, central para todos os desdobramentos da Filosofia Contemporânea. As palestras mostrarão como Cidadão Kane do Orson Welles (21/05) problematiza a existência de uma realidade/identidade dada em si mesma, para além das múltiplas possibilidades de interpretá-la; como Gritos e sussurros do Bergman (28/05) e O crepúsculo dos deuses de Billy Wilder (4/06) apresentam distintos modos de compreender e lidar com a morte ou com a fragilidade dos projetos humanos; e como Psicose de Hitchcock (11/06) relativiza qualquer delimitação rígida entre o normal e o patológico.

Me ocorreu a possibilidade de postar as minhas "anotações de aula" no blog.

Bom, confesso que ando desorganizada, mas prometo fazer isso a partir do filme Crepúsculo dos Deuses de Billy Wilder.

Confira a programação completa do curso:

http://lavoroproducoes.com.br/historiadafilosofia/?page_id=36

ou

http://www.caixacultural.com.br/html/main.html

(o caixa cultural, além do curso, oferece outras programações de cinema muito boas como "Além das fronteiras: o cinema Suíço"; "20x Pornochanchada"; "Andy Warhol 16 mm" e "El deseo - O apaixonante cinema de Pedro Almodóvar").

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Homenagem ao maior de todos!!!

<><><><><><>

"O amor perfeito é a mais bela das frustrações, pois está acima do que se pode exprimir."

Como diria Neruda: simplesmente amo-te!

Pra mim, esse cara de bigodinho e roupa fuleira foi o maior diretor e ator de todos os tempos...

Dono do olhar mais emocionante do cinema!! Que o diga os que assistiram ao filme "Luzes da cidade"!

A fórmula Chaplin se reproduziu por ai, em forma de Chaves (que sem querer querendo, me emociona e faz rir na medida certa) e Didi mocó sonrisal, colestero e etc e etc... ( que cá entre nós, que bom que acabou, ou quase...) 


Em todo caso, nenhum desses foi tão... TÃO, Chaplin quanto o Carlitos! Que faria 122 anos dia 16 de Abril.

Não me lembrei desta data sozinha, o google me ajudou, quando trocou seu logotipo por um vídeo para celebrar aniversário de Chaplin.

De todo modo, meu amor pelo cinema não poderia ficar sem Chaplin.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

É apenas o fim

Acabei de assistir ao filme "é apenas o fim" que causou muitos comentários por onde passou, alguns disseram que o filme é digno de um Godard, outros falaram tão mal, mas tão mal do filme que até me deu vergonha de assumir que eu estava querendo assistir.

Bobeira minha ter demorando até hoje, quando eu poderia tê-lo visto no festival do Rio, no meio de todo o burburinho e das "estrelas cults".

Como  fora de casa eu faço xixi em pé (rs) não vi, preferi esperar para assistir ao filme num dia de chuva num ano em que o carnaval foi em março.

O que tenho a dizer é, sobretudo:  VEJA O FILME!  

Ai está um bom link para baixa-lo: http://www.megaupload.com/?d=7TGPQRA4

E, para me animar depois de um filme tão desanimador* (considerando minha TPM) encontrei uma critica "bonitinha" ao filme que resolvi postar, então:

"Uma das sensações que, até há pouco, afirmaria com certeza nunca ter sentido é torcer por personagem de filme. E, menos ainda, para que mocinho-e-mocinha saiam de mãos dadas pela estrada depois de 120 minutos. Quebrado mais um tabu. "Apenas o Fim..." traz um roteiro envolvente, que prende a atenção do espectador e o faz torcer pelo beijo final de Érika Mader e do carismático Gregório Duvivier, o dono da bola. E é romântico sem ser piegas, pois aborda o romance entre jovens mesclando, em uma curiosa troca de sabores, o realismo e o romantismo. Fora o roteiro e as atuações corretas, não há muito o que falar. Os enquadramentos e recursos técnicos são simples, típicos de uma produção universitária como o filme é. Enfim, vale a pena conferir na estréia nacional, amanhã nos cinemas. O jovem cineasta Matheus Souza, mais novo que eu, mostra muita sensibilidade e um grande futuro. Assistam, eu gostei e torci."

  Lucas Alvares

Pra começar, a minha critica à critica, me pergunto, como alguém nunca torceu por um personagem?? O que é hollywood se não isso, emoção! nossa escolha por um personagem logo no trailer!
Eu diria justamente o oposto, poucas foram as vezes que o "mocinho" conseguiu não me conquistar, (o que foi maravilhoso) em "Taxi Drive" obviamente que essa era a intenção do Scorsese desde o principio.

Considerando que nem até o Godard fez seus personagens carismáticos (que não foram poucos, eu diria) nunca torcer por um personagem me soa bem estranho.

Mais estranha ainda fica tal afirmação quando, ao repassar o filme na minha cabeça, só consigo me recordar da sensação de incomodo com o tal casal, me parece ter sido feito para parecer improvável. Sabe a tal química que nos faz suspirar nas novelas e comédias românticas hollywoodianas? Bom, o casal não tem e isso faz do filme algo bem acima de uma comédia romântica.

Isso realmente me surpreendeu, porque eu comecei a assistir o filme como uma comédia romântica, e fui atacada por esse incomodo que o casal carrega, um certo vazio que beira a poética godariana. Não, não me surpreendo que em um mundo que anseia pelas ânsias fatais de caras como Godard, Glauber e companhia, veja em um filme desse algo como uma luz no fim do túnel.
Além do dito incomodo, fui arrebatada pelas coisinhas que mais gosto "CITAÕES" o filme é repleto delas, algumas são ditas com uma ironia tão singela que parece mesmo ser inocência.

Quebrando tabus? Isso o filme fez, mas nada que envolva a história, e sim o seu fazer o processo através do qual tal história é contada, uma história qualquer, comum, talvez tenha alguns confetes a mais que a historia de um ou outro casal, mas não é uma historia cinematográfica. É só uma historia sem começo e com um fim engraçado, como Brecht que distancia. (Vide algumas intervenções que brincam com o a realidade tanto nossa quanto a do filme, e isso ocorre justamente no final, creio que seja pra causar um maior distanciamento na hora derradeira, a hora do fim) 

Em uma coisa devo concordar, de fato o filme “é romântico sem ser piegas”, mas não porque mistura “realismo e o romantismo” e sim porque brinca com a realidade do filme e a nossa realidade, lembrando que a menina, cujo nome nem me lembro (acho que não tinha, e se assim for, o filme cresce ainda mais) só tem uma hora para se despedir do namorado (outro que pra mim, não tem nome) e é justamente essa uma hora que temos para assisti-los.

Ele fala de enquadramento e recursos, simples, sim, de fato são simples, a final esta é uma citação do Godard, que Matheus Souza deixou claro na irônica frase “transformers é melhor que todos os filmes do godard”.

Ai já começo a viajar, ou não, relacionando o fato da fuga da menina com a fuga de Belmondo em Acossado. Ou seguir a linha de Jules e Jim do Truffaut e imaginar que, ao ter algum cunho confessional, a menina representaria o diretor, visto que é o personagem que mais coloca citações mais importantes culturalmente, quando o rapaz é a voz da ironia.

Sensibilidade o filme possui, e vamos esperar pelo futuro do diretor... no final sabemos que ambas as visões sobre o filme não estão nem corretas nem erradas, são somente diferentes.

E qual será a sua?
 
*pra finalizar, o desanimador entra porque devo concordar que o filme pretendeu dar um panorama da nossa geração, e que vazio isso me deu! Me pergunto “sou triste porque sou livre ou sou livre porque sou triste” escrevendo a sentença máxima Godariana agora, sinto que esta foi também a sentença máxima do filme. Agora sim, tudo está mais claro pra mim. Quase posso chorar pelo meu tempo! hauahauhauahua

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Eu nasci pra ver os filmes do Godard!

Cartaz de Jogos Mortais VI

Cena de Jogos Mortais VI
Ontem a noite, como sempre sem sono, tive a brilhante idéia de ver o filme “Jogos mortais VI” que baixei essa semana. O filme tem uma hora e meia de duração, mas a sensação que tive foi que o filme durou no máximo meia hora.


Justifica meu medo de Palhaço!
Nesses psicológicos trinta minutos que o filme durou, percebi que só fiquei de olho aberto por mais ou menos doze minutos, então conclui que fiz um ótimo negócio ao baixar o filme, se fosse assisti-lo no cinema ia jogar grana fora.



Primeiro que definitivamente o filme só tem meia hora, no máximo quarenta minutos contando com os trailers, segundo que eu não veria o filme já que de certo estaria escondendo minha cara no ombro do primeiro idiota que se encontrasse sentado ao meu lado! Sem mencionar o mico de dar gritinhos no cinema que com certeza estaria cheio.

Cena de violência em Laranja Mecanica
(Sei bem como é isso, eu faço parte da turma do meião, sou a garota que grita nos filmes de terror, que dá suspiros nos filmes de amor, e que faz SHIIII quando as luzes apagam e aplaude no final do filme cult mesmo quando nem mesmo os meus amigos aderem a manifestação!)


morte de Brando em Apocalypse now
Ao longo das cenas mais heavy metal do filme eu só conseguia repetir o mantra “eu nasci pra ver os filmes do Godard”, pra tirar minha tensão, no meio do filme comecei a pensar em variáveis tipo:

Mais violência em Laranja mecanica


“eu gosto de violência conceitual estilo Laranja mecânica”, ou “eu gosto de morte como a do Belmondo em Acossado” ou ainda “porque não filmaram as mortes como o Woody Allen?”... escrevendo agora pensei em mais uma frase boa: “só assisto as mortes do Marlon Brando!” até morrendo ele sabe ser sexy!

Morte de balmondo em Acossado

Me recordo agora que quando a adrenalina chegou no seu ápice eu repeti naturalmente uma frase que sempre cantava mentalmente quando era criança e assistia aos filmes do Chuck: “é tudo catchup!”


Chuck

Na boa, o filme é super bacana, adorei cada minuto em que fiquei com a cara escondia na almofada do sofá!
Jr. Kyle
Sem fazer muito esforço podemos encontrar um Q de violência conceitual no filme. Desde o primeiro Jogos Mortais eu gostei da idéia de se fazer um reality de um só voyeur onde os participantes levam como premio a própria vida, nada melhor! Parece coisa de Junior Kyle, mas dá certo!
  
Cena de Jogos Mortais VI



Devo confessar que apesar da idade já me fazer dobrar as costas ainda não cresci o bastante para ver esse tipo de filme e depois ir dormir sem se cobrir até a cabeça, mesmo com esse calor!


Cenas de Jogos Mortais VI

Cena de Jogos Mortais VI
É massa quando um filme consegue nos levar de volta a um lugar comum, era comum sentir medo de filmes de terror quando criança, era ordinário, agora, é extraordinário, e é isso que Jogos Mortais foram, ao meu ver todos eles foram extraordinários! (claro que não é medo, é tensão, mas valeu!)
Cartaz de Viver a Vida do Godard





Por fim fica a ironia, no mesmo dia em que baixei Jogos Mortais VI (dirigido por Kevin Greutert), baixei Viver a Vida do Godard, nada melhor ver o segundo depois do primeiro, não?





Pra quem quiser seguir a experiência, ai está os links dos filmes pra baixar

Jogos mortais VI

Sinopse: Um grupo de sobreviventes do assassino serial Jigsaw (Tobin Bell) vai buscar ajuda com o último sobrevivente, Bobby Daggen (Sean Patrcik Flanery), sem saber que ele esconde terríveis segredos que podem desencadear uma nova onda de terror.


Ficha técnica:

Título Original: Jogos Mortais: O Final
Tamanho: 349 MB
Gênero: Terror
Formato: RMVB
Qualidade: DVDRip
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Ano de Lançamento: 2010
Servidor: HotFile


Link: http://hotfile.com/dl/94021213/e6e446a/Jgs.Morts.7.Leg.Series-BR.com.rmvb.html

Viver a Vida (Jean Luc Godard, 1962)

Sinopse: Nana é uma jovem que abandona o seu marido e o seu filho para iniciar sua carreira como atriz. Para fi- nanciar sua nova vida começa a trabalhar numa loja de discos, mas não ganha muito dinheiro. Como não consegue pagar o aluguel, é expulsa de casa e decide virar prosti- tuta. No primeiro dia que começa a trabalhar na rua, re- encontra Yvette, uma velha amiga que lhe confessa que também se prostitui por necessidade. Yvette lhe apresen- ta a Raoul, que se converte em seu catetão. A partir des- se momento, Nana irá introduzindo-se progressivamente no mundo da prostituição.

Ficha técnica

Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard
Título Original: Vivre sa Vie
Origem: França
Duração: 80 min
Idioma: Francês
Legendas: Português
Formato: rmvb
Tamanho: 272 MB
Servidor: Megaupload
Artigo: Viver a Vida, por Luiz Carlos Oliveira Jr.


Link:  http://www.megaupload.com/?d=RTLI5ML6

Ps1:. em caso de erro acesse os sites

Para Jogos Mortais VI:
http://series-br.com/filmes/download-filme-jogos-mortais-o-final-legendado

Para Viver a vida:
http://setimoprojetor.blogspot.com/search/label/godard?updated-max=2009-06-20T14%3A08%3A00-03%3A00&max-results=20


 Ps2:. no caso dos links não levarem diretamente para a página desejada, é só copiar e colar em uma nova guia.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Hannah e suas irmas - Woody Allen (1986)

Uma das obras de arte feitas por Woody Allen nos anos 80.
O filme apresenta sucessões de sutis citações as artes visuais, literatura e musica clássica, esta última se apresenta como um dos pontos altos do filme. W.A. Casa musica e cena, a musica atua como ponte que faz passar a ser cômica uma cena que se iniciou romântica.

A música ao mesmo tempo em que está casada com a cena, entra em cena, é mais que uma composição desta, é quase um personagem.

Outro “personagem” que me conquistou foi a própria cidade de Nova York, e sua arquitetura que foi apresentada como obra de arte a céu aberto, e mais uma vez temos a arte atuando como personagem quando a arquitetura, assim como a música, entra em cena e algumas vezes (no caso das esculturas espalhadas pela cidade) atuavam como uma extensão do pensamento ou do sentimento do personagem.


Nas cenas externas muitas vezes é possível ver pontos vermelhos compondo um cenário frio e pálido. São pontos vermelhos que ora são vibrantes ora são opacos; ora estão nítidos no quadro e ora estão se escondendo de nós. Esses pontos de luz são tão insistentes nas cenas e, sobretudo, nas externas, que parecem elementos postos intencionalmente.

São em quadros fixos focalizando um forte fundo vermelho, que por duas (maravilhosas) vezes, logo no inicio do filme, os atores entram em cena.


A Hannah de Mia Farrow:

A atriz rouba a cena, mais do que “Rosa purpura do cairo”, “Hannah e suas irmãs” é o seu filme. Não imagino outra atriz no lugar de Farrow. A personagem Hannah exigiu a fragilidade e delicadeza física da Mia Ferrow, e a doçura da sua voz em contraste com a força interior que a atriz só poderia impor através do olhar. Assim vemos a composição da personagem mais dominadora e centralizadora, um personagem verdadeiramente violento, que Mia Farrow encarnou de modo único, qualquer outra forma de compor Hannah teria sido exageradamente caricata.


As faces de W.A.

Os maridos das três irmãs, o sedutor Eliot, o artista sabichão Frederick (o meu favorito) e o hipocondríaco Mickey são, ao meu ver, três possibilidades de Woody Allen. Mas essas constantes especulações de qual personagem é o W.A. do filme me faz buscar um referencial Alleano em todos os filmes do diretor.


*(confesso que como todos sempre tenho a sensação de ver um Woody em cena, mesmo quando não temos Woody atuando, mas não consegui ver isso em “O sonho de cassandra”, e muitos também não viram. Soube que nas gravações W.A. deu uma de Kubrick e pegou no pé dos atores principais do filme, e muitas vezes fez interferências nas atuações, em entrevista os atores disseram que Allen nunca deixou claro as intenções dele apenas dizia “façam de modo diferente”, e que até o momento eles se perguntavam “o que Allen queria?” acho que essa é a pergunta errada, a questão é “quer que eu o imite W.A.?” de preferencia, faça isso gaguejando!)


Algumas outras questões do filme

A busca por deus e pelo sentido da vida que o personagem de Woody Allen faz no decorrer de “Hannah e suas irmãs” é o ponto alto da comédia do filme, e ao mesmo tempo muito existencialista.

Quando o judeu Allen tenta virar budista depois da falha tentativa aceitar Cristo como o messias

E o questionamento sobre o direito que o artista possui, e se ele possui direitos, de usar como inspiração as histórias de pessoas próximas, quando Holly a irmã de Hannah que vira escritora usa a historia de Hannah e seu marido como inspiração.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O soldado saúda o artista!


Durante as filmagens de "Sympathy for the Devil" (1968), Jean-Luc Godard cumprimenta Bill Wyman enquanto Mick Jagger afina o violão



O Pai da "Nouvelle Vague", a revolucionária onda que há meio século mudou o cinema por uma proposta crítica e comprometida, o cineasta Jean-Luc Godard completa hoje 80 anos, ligado a uma visão particular do cinema e da vida.

Para quem conhecia o cinema engajado e humanista de Mario Monicelli, parecia impossível que um dia o diretor de Os Eternos Desconhecidos, Os Companheiros e O Incrível Exército de Brancaleone fosse se matar. Da mesma forma, Jean-Luc Godard, ao surgir, virou a própria personificação da nouvelle vague. A nova onda foi uma reação aos velhos que dominavam o cinema.

Quem poderia imaginar o jovem Godard chegando à ‘melhor’ idade? Pois as duas coisas ocorreram, e na mesma semana. A semana comercial começou na segunda com Monicelli jogando-se do quinto andar do hospital em que estava internado. Chega a sexta-feira, com o aniversário de Godard, que hoje completa 80 anos.

Feliz aniversário, M. Godard! Para assinalar a data, a distribuidora Imovision coloca nas telas o novo Godard, que integrou a programação do Festival de Cannes, em maio e do Festival do Rio em outubro. Film Socialisme não é apenas o melhor Godard dos últimos tempos - a verdadeira surpresa é constatar que Godard, aos 80 anos, e Manoel de Oliveira, aos 102, que completa este mês, são os que continuam inventando o cinema de busca, o cinema autoral.

Citar (relacionando) os dois autores faz sentido porque Film Socialisme se passa durante um cruzeiro marítimo que também é uma viagem por centros formadores da cultura e do cinema universais. Não há como não se lembrar de outro cruzeiro, o que Oliveira empreendeu em Um Filme Falado. Ambos, por sinal, Godard e Oliveira, com todas as diferenças que os caracterizam, acreditam no verbo.

Godard prescinde de história, de personagens. É até meio difícil dizer do que, afinal, trata Film Socialisme. Digamos que, como todo Godard, é, acima de tudo, uma reflexão sobre o cinema.

Mas não só sobre o cinema. Godard articula três movimentos para discutir a Europa do século 21. Em Coisas Como, durante uma viagem pelo Mediterrâneo, passageiros e tripulantes conversam em suas línguas (Oliveira já havia feito isso antes). Em Nossa Liberdade, um casal de irmãos exorta os pais para que lhes expliquem o significado de palavras (temas) como liberdade, igualdade e fraternidade. Em Nossas Humanidades, o autor revisita seis lugares fundadores de mitos, falsos ou verdadeiros - Egito, Grécia, Palestina, Barcelona, Nápoles e Odessa. Como o fio condutor é tênue, cabe aos espectador articular esses movimentos, retirando deles seus significados profundos. Duas constatações se impõem, talvez três.

Virulento. O filme é fluido, não evolui por rupturas. Um Godard mais sereno, sem deixar de ser virulento, como de hábito. Termina muito bem, e essa talvez seja a constatação mais impressionante. Godard projeta o espectador - cinéfilo - numa espécie de euforia, nos 15 ou 20 minutos finais. E ele continua singularmente crítico. Quer saber o que é o capitalismo, segundo Godard? Ele diz, no seu filme socialista, mesmo que indiretamente - "O dinheiro foi inventado para que os homens não precisem se olhar nos olhos." Hollywood? "É irônico que o lugar fundado por judeus seja chamado de Meca do cinema."

Poucos meses depois que seu último filme, "Film Socialisme", chegou às telas de alguns países, o cineasta franco-suíço não se esquivou das polêmicas. Para comemorar a data, o filme estreia hoje (3 de dezembro) no Brasil.

Acusado de "antissemita" nos Estados Unidos, Godard se negou no mês passado a receber o Oscar oferecido por Hollywood pelo conjunto de sua carreira, "magoado" porque a imprensa americana reprovou sua postura "muito pró-palestina".
Chamado de pai da "Nouvelle Vague", o autor de "Acossado", considerado o filme fundador dessa corrente trangressora, abriu as portas para uma nova maneira de fazer cinema.
Um pouco da biografia ilumina o gênio. 


Filho de uma família franco-suíça, perfeitamente burguesa - pai, médico, mãe pertencente a uma linhagem de banqueiros (como Walter Salles e João Moreira Salles no Brasil). Godard nasceu em Paris durante a 2ª Guerra Mundial. O jovem Godard roubava do avô materno para pagar seus pequenos vícios juvenis, informa Antoine De Baecque em sua biografia, não autorizada mas não interditada, que saiu este ano.
Foi educado na França, e embora reverenciasse a alta cultura, não era exatamente estudioso - abandonou os estudos de etnologia na Sorbonne, mas sem dúvida o curso teve alguma relevância na obra. sucesso que "Acossado" teve entre o público e a crítica em 1959, sua narrativa diferente, com constantes mudanças de direção, foram o tiro de saída para uma geração que estava ansiosa para revolucionar os modelos da época.

"O que eu queria era partir de uma história convencional e refazer, de forma diferente, todo o cinema que já havia sido feito"

François Truffaut, Éric Rohmer e Claude Chabrol moldaram a corrente para transformá-la em um fenômeno que ultrapassou fronteiras e se instalou de forma duradoura e que segue inspirando cineastas tão diferentes, como David Lynch, Pedro Almodóvar, Quentin Tarantino, Gus van Sant e Mathieu Amalric.
Jean-Michel Frodon, autor de História do Cinema francês, da Nouvelle Vague aos Nossos Dias, afirmou que nos anos 50 reinava "um extraordinário amor pelos filmes e um espírito de rebelião contra a impressão de conformismo do cinema francês".

Ainda no início da década de 1960, avaliando o fato de os jovens da nouvelle vague fazerem filmes centrados no próprio umbigo, Godard disse -

"A honestidade da nova onda consiste em só falar do que sabe, para não falar mal do que não sabe, o que poderia comprometer o que sabemos."

 E   em uma entrevista para Cahiers du Cinéma, ele fez sua autocrítica -

"Um filme sobre operários? Adoraria fazer, mas não domino o assunto."

Muitos diretores, os chamados autores, dizem que filmam para descobrir o que não sabem. Francis Ford Coppola, na quarta-feira, em São Paulo, disse que o roteiro é sempre uma pergunta que ele tenta responder fazendo o filme. Godard não tem outras curiosidades. 
Godard nunca se esquivou do papel de líder, de cabeça visível dos jovens que queriam mudar o estilo da época. No turbulento mês de maio de 1968, enquanto os estudantes marchavam nas ruas de Paris, Godard liderou o movimento que levou o protesto contra o sistema ao Festival de Cannes.
Com este festival, o diretor viveu uma história de amor e ódio. Apesar de suas seis indicações, nunca ganhou uma Palma de Ouro. Este ano, depois de anunciado seu retorno ao La Croisette para apresentar "Film Socialisme", o diretor cancelou sua participação no último minuto, vítima de um misterioso "mal grego".

"Com o Festival irei até a morte, mas não darei um passo mais" disse o cineasta em uma carta, alimentando os rumores sobre seu estado de saúde. No entanto, para alguns, não foi mais que um desprezo ao tapete vermelho, ao "glamour" que Godard sempre combateu em sua vida e em seus filmes.

Godard foi um diretor comprometido com uma certa ideia política, uma esquerda tão particular como sua obra. "A Chinesa" e "Week-end à Francesa" são exemplos de sua particular visão da luta do proletariado.

Nos anos 1970 viajou pelo mundo, seguiu brigando com o sistema, rodou filmes que se negou a estrear, como "One American Movie" e "British Sonunds", e começou a experimentar o vídeo.
Voltou-se para um cinema mais comercial nos anos 1980, onde se reencontrou com atores de renome, mas sem nunca renunciar à polêmica. E, depois de um período, retornou ao cinema experimental no final do século passado, com obras como "Elogio do Amor".

Quentin Tarantino homenageou o diretor batizando sua produtora de "Bande à Part". Tão alheio à polêmica que provoca como ao entusiasmo que gera, Godard segue na crista da "Nova Onda" que ajudou a criar.
Jean-Luc Godard, adquiriu a nacionalidade suíça aos 21 anos, afirma que decidiu instalar-se na cidade de Rolle há 30 anos com sua companheira Anne-Marie Miéville, porque é um lugar "qualquer".

De acordo com Frodon, "as pessoas de lá o deixam tranquilo".
- Ele tem seus hábitos, passeia com o cachorro, vai ao café na rua principal, compra seu jornal, seus cigarros. É alguém muito simples.
Godard finge se esconder, mas na realidade nunca parou de trabalhar e sua obra reaparece com frequência no primeiro plano do cinema mundial.

São 80 anos de vida e mais de 50 como diretor. Anarquista de direita, virou radical de esquerda. Revolucionou o cinema. Até Hollywood reconhece. Ele está sendo homenageado com um Oscar de carreira. Como iria recebê-lo numa cerimônia fechada, não na grande festa de março, não compareceu. Está certo. Não teria a mesma graça.

Além do mais, Godard é um nome grande, tem um rosto impactante como um logotipo, como o de Che Guevara.  Se Che tivesse sobrevivido ele seria tão herói? Acho que não. Se Acossado tivesse ganho o Oscar, Godard seria tão transgressor? Acho que não. 

Como em "Tempos de Guerra" eu diria que essa foi a saudação do soldado para o artista.

Dziga Vertov

"Eu sou um cine-olho. Eu sou um construtor. Eu te coloquei num espaço extraordinário que não existia até este momento. Nesse espaço tem doze paredes que eu registrei em diversas partes do mundo. Justapondo a visão dessas paredes e alguns detalhes consegui dispô-las numa ordem que te agrada e edifiquei, da forma adequada, sobre os intervalos, uma cine-frase que é, justamente, esse espaço. Eu, cine-olho, crio um homem muito mais perfeito que aquele que criou Adão, crio milhares de homens diferentes segundo desenhos distintos e esquemas pré-estabelecidos.

Eu sou o cine-olho. Tomo os braços de um, mais fortes e hábeis, tomo as pernas de outro, melhor construídas e mais velozes, a cabeça de um terceiro, mais bonita e expressiva e, pela montagem, crio um homem novo, um homem perfeito."




(GRANJA, Vasco. Dziga Vertov. Livros Horizonte, 1981

domingo, 21 de novembro de 2010

Politica do gênero: O cinema Norte americano dos anos 70

Mostra no Caixa Cultural RJ
Período: 23 a 28/11/2010
Lical: Cinemas 1 e 2 (Unidade Barroso)
Entrada: R$2,00 (inteira) R$1,00 (meia)


A mostra apresenta 24 filmes realizados na década de 1970, para criar um panorama do imaginário politico, estético e psicológico desde instante decisivo na construção de uma linguagem cinematográfica contemporânea, focando no cinema político que usa o gênero (policial, suspense, comédia, drama) para dar conta do estado emocional de uma nova américa.

IMPERDIVEL: Pierrot le Fou segunda no CineMaison

O Demônio das Onze Horas Pierrot le Fou (França/Itália, 1965) segunda no Cinemaison

De Jean-Luc Godard. Com Anna Karina, Jean-Paul Belmondo. Drama em Cores. Duração 105’. Classificação etária 16 anos.

Casado com uma italiana e entediado com sua vida na alta sociedade, o professor espanhol Ferdinand foge em direção ao sul com Marianne, após um cadáver ser encontrado na casa dela. Eles caem na estrada e deixam um rastro de roubos por onde passam.
 
 
 
Rio de Janeiro

Cinemaison dia 22/11/2010 às 18hs
Av. Presidente Antônio Carlos, 58. – Centro




Ficha técnica:
CINEASTA: JEAN-LUC GODARD

GÊNERO: DRAMA/POLICIAL
ORIGEM: FRANÇA/ITÁLIA
DIÁLOGO: FRANCÊS
LEGENDA: PORTUGUÊS
DURAÇÃO: 110 MIN
COR: COLORIDO
FORMATO: RMVB

Link para baixar o filme: http://www.megaupload.com/?d=2JPZAI8G

Godard - NOSSA MÚSICA


Se divide em três partes:

o inferno, com sete minutos de imagens de guerras diversas em branco e preto e a cores com aviões, tanques e navios, explosões, execuções, populações em fuga, campos e cidades devastados, e acompanhamento musical. Imagens silenciosas, quatro frases, quatro peças musicais;

o purgatório, filmado na cidade de Sarajevo, com uma hora de duração. Um cidade contemporânea, martirizada como tantas outras. Personagens reais e imaginários. Uma visita à ponte de Mostar enquanto ela é reconstruída representa a passagem da culpa ao perdão;

e o paraíso. Nesta terceira parte mostra-se uma jovem mulher que, depois de se sacrificar no purgatório, encontra a paz em uma pequena praia guardada por fuzileiros navais norte-americanos.



http://www.megaupload.com/?d=SMROR67U

http://www.megaupload.com/?d=4TRG6ICH

http://www.megaupload.com/?d=096O17W4

http://www.megaupload.com/?d=0FZKI4G9

http://www.megaupload.com/?d=OKAKF2GH


Como unir as partes:

Windows: 7-zip decompactador (clique p/ baixar)


Linux ou Mac tente com: HJ Split (clique p/ baixar) ou 7-Zx (clique p/ baixar)

No lugar do WinRar você vai precisar do 7-zip.

1. Baixe e instale o 7-Zip File Manager.
2. Clique na primeira parte do filme (.001 ou .part1.rar) com o botão direito do mouse e na guia '7-Zip' escolha a opção "Extrair aqui"

O arquivo será descompactado automaticamente;
Aconselho utilizar o The KMPlayer (clique p/ baixar) para reproduzir todo e qualquer arquivo de vídeo.



Caso não consiga descompactar:



Abra o 7-Zip File Manager (clique p/ baixar) pelo menu Iniciar e através dele vá até a pasta onde se encontram os arquivos, se não der pra ver o nome completo dos arquivos, arraste a aba "Nome" para a direita, até que se possa ver o nome inteiro, assim, verifique se todos os arquivos estão da seguinte forma: nome.formato.numeração

Ex: CinemaCultura.blogspot.com_Stalker.avi.001

As vezes um programa reconhece o arquivo e renomeia sem autorização, por exemplo:

CinemaCultura.blogspot.com_Stalker.avi

Neste caso falta a numeração, você deve adicionar o .001, ou .002... geralmente acontece na 1ª parte;

CinemaCultura.blogspot.com_Stalker.avi.001.ram

Neste caso delete todo e qualquer formato ou extenção que venha depois da numeração, as vezes acontece do Real Player adicionar um .rmvb depois da numeração, pode deletar esse final.


Se ainda assim estiver dando erro, verifique se todos os arquivos (com exceção da última parte) tem o mesmo tamanho.


Caso nada disso tenha resolvido, deixe um comentário na própria postagem do filme.

Espero ter ajudado. Boa Sorte!



O último grande contestador do cinema

Anotações do V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (SEMCINE) que aconteceu de setembro
à Novembro de 2009 no CineMaison

No âmbito do Seminário de Cinema da Bahia, realização de mostra retrospectiva das obras do cineasta francês Jean-Luc Godard e de mesa redonda “Godard, Cinema e Poesia”, com a participação de estudiosos franceses e brasileiros da obra do artista.

Godard (Paris, 3 de Dezembro de 1930) é reconhecido por um cinema vanguardista e polêmico, que tomou como temas e assumiu como forma, de maneira ágil, original e quase sempre provocadora, os dilemas e perplexidades do século XX. Além disso, é também um dos principais nomes da “Nouvelle Vague”.

Depois da obra de estreia, Acossado (À bout de souffle , 1959), Jean-Luc Godard jamais reencontrou o sucesso. ”Só os grandes ditadores conseguem falar a milhões de pessoas de uma vez”, reagiu em uma palestra, como se não existissem grandes poetas capazes de falar ao grande público. Godard é do time de criadores cuja importância é inversamente proporcional a sua assimilação. Faz filmes de costas para regras. Busca a expressão própria, com rupturas entre imagens e diálogos, ritmo descontínuo e idéias no lugar de histórias.

Sua carreira é pura inquietação. Ele subverteu os gêneros do cinema americano, quebrou a narrativa em fragmentos com sentido autônomo e incorporou a eles trechos de literatura, quadrinhos, música erudita e artes plásticas. Também saiu à frente em certas discussões.

Após o movimento estudantil de maio de 1968, Godard criou o grupo de cinema Dziga Vertov — assim chamado em homenagem a um cineasta russo de vanguarda — e voltou-se para o cinema político. Pravda (1969) trata da invasão soviética da Tchecoslováquia; Vento do Oriente (Le vent d’Est, 1969), com roteiro do líder estudantil Daniel Cohn-Bendit, desmistifica o western e Até a vitória (Jusqu’à la victoire, 1970) enfatiza a guerrilha palestina. Mais uma vez, Godard procurou inovar a estética cinematográfica com Passion (1982), reflexão sobre a pintura. Os filmes seguintes, como Prénom: Carmen (1983) e Je vous salue Marie (1984), provocaram polêmica e o último deles, irreverente em relação aos valores cristãos, esteve proibido no Brasil e em outros países.

 
”Na época de Viver a vida, eu me preocupava com a duração do filme. Eu achava que com uma cena de dez minutos acrescentava simplesmente dez minutos à duração da fita. Cerca de 60% do filme era pura ‘encheção’ desse tipo. O nervosismo do espectador era justificado. Durante muito tempo tive problemas para preencher uma hora de filme. Tornei-me um hábil enganador. Havia um buraco, e eu não sabia o que fazer com ele. Em Elogio do Amor não há buraco algum. Ou melhor, se há, é do tamanho certo: duas imagens apenas, em uma hora de filme, no fim da parte em preto e branco. Lá estava o buraco negro; o universo existia, e eu o revesti de cores.”

 
Os personagens de seus primeiros filmes, como Acossado, Pequeno Soldado (Le Petit Soldat) e Demônio das Onze Horas (Pierrot le Fou) já refletiam sobre a crise da juventude. Vagavam pela vida sem ideais definidos, mas se negando pertencer às normas de conduta. Nos filmes dos anos 80 e 90, com a assimilação da inquietação juvenil pela sociedade de consumo, o tom melancólico predominou.

Godard filma como quem pinta um quadro, sem contribuição criativa de terceiros. Mesmo depois de atuar em dez filmes godardianos, o ator Jean-Pierre Léaud não o decifrou. ”Nunca se sabe o que está pensando”, afirma. Seu método foge do figurino. Ele se guia por anotações em um caderninho, não por um roteiro, e sopra o texto aos atores na hora da cena. A atriz Isabelle Huppert estranhou ao atuar em Passion. Pediu explicações sobre a personagem e ganhou uma lição de vida. ”Não tente entender. Apenas sinta”, disse o diretor.

Filho de um médico francês e de uma herdeira de banqueiros suíços, Godard rompeu com os pais na juventude depois de se decidir pela crítica de cinema e descobrir o passado anti-semita de parte da família. Ao lado de um grupo de resenhistas ferinos que virariam cineastas (François Truffaut, Eric Rohmer, Claude Chabrol, Jacques Rivette), esteve na linha de frente da nouvelle vague, a renovação do cinema francês. Godard sempre foi o mais radical da turma, acusado de fascista e comunista, dependendo do filme e da ideologia dos acusadores. Documentos do regime militar brasileiro tratavam-no como líder de uma conspiração maoísta.

Glauber Rocha venerava-o. Chamava-o de ”revolução permanente”. O vulcão do cinema novo atuou para ele em Vento do Oriente. ”Quem quiser me ofender basta falar mal de Godard”, disse o cineasta brasileiro sobre o irmão artístico. O gênio francês sempre fez a linha ame-o ou deixe-o. Autor do roteiro de Acossado, Truffaut amou-o e deixou-o. Seu faro para negócios irritava Godard. Eles romperam por conta de uma pendenga financeira e de um ataque de Godard a um filme do ex-amigo (A Noite Americana). A frase de uma personagem de Elogio ao Amor sintetiza a trajetória do velho rebelde: ”Não há pressa para encontrar a tranqüilidade”.


Fontes:
Céline Scemama : Histoire(s) du cinéma,

FilmsdeFrance.com