Foi quando ela teve ciumes e se calou, chorou no escuro e ele não acedeu a luz para tentar fazê-la sorrir, mas a abraçou. Ela o sentiu por alguns instantes e se retirou dos braços dele. Cansaço e orgulho. Reconheceu que eram esses os vilões de suas vidas. Não se importou. Era feliz. Não me importo. Pensou ela. Morrer de amor sem ele em algum momento de sua vida poderia ser inevitável, a menos que morresse primeiro. Não me importo. Pensou. O amor desgasta mesmo, em alguns momentos corrói, nem sempre é doce como o rosto dele. Já estaria ela mesma, morrendo aos poucos.
domingo, 19 de junho de 2011
Historia da filosofia em 40 filmes e mais 40 filmes
De 16 de maio de 2009 a 28 de fevereiro de 2010, no caixa cultural, rolou um curso livre e grátis que através de 40 filmes fazia um apanhado da historia da filosofia. Eu fui rigorosamente em todos os sábados e assistir a todos os 40 filmes e suas palestras.
Interessante foi ver, os 388 lugares do cinema ocupados em todas as sessões de sábados frios de chuva fina, e de sábados quentes de verão e praia. Fosse como fosse estávamos lá, uma grande turma de desconhecidos que se reunião nos sábados religiosamente às 10 horas da manhã, tudo por um amor em comum, o cinema e a filosofia. Fiz amigos, vez por outra os encontro nos cinemas. Eu os vejo, e é certo, lembro-me desse ano tão especial.
Bom, fico feliz em contar que vamos nos reunir mais uma vez, por mais 40 sábados iremos a nossa, sempre santa, mesmo que e por vezes diabólica, igreja. A mostra-curso segue por nove meses, sempre aos sábados, discutindo os dez temas filosóficos escolhidos pelos curadores-palestrantes Alexandre Costa e Patrick Pessoa para esta segunda edição.
Começou no sábado passado, 21 de maio de 2011, o curso livre de Historia da filosofia em mais 40 filmes. E até dia 24 de março de 2012, no teatro Nelson Rodrigues, av. Chile, 230, próximo ao Metrô da Carioca, os filmes começam às 10h e 30min. Ao final da exibição de cada filme, Alexandre Costa e Patrick Pessoa, alternadamente, proferem uma palestra, ao final da qual abrem espaço para o debate com o público.
O novo curso, assim como a edição anterior, irá por em pauta temas filosóficos fundamentais, e vamos porder assistir diálogos de cineastas como Bergman, Bertolucci, Hitchcock, Fassbinder, Scola, Resnais, Saura, Fellini, Ozu, Kubrick, Cassavetes, Hirszman e Godard, com importantes pensadores, entre eles Platão, Descartes, Kant, Marx, Nietzsche, Benjamin, Heidegger, Sartre e Foucault. A entrada é franca e a programação riquíssíma, cheia de filmes que dão vontade de fumar, mesmo que você não saiba tragar.
Os novos módulos temáticos são: “O perspectivismo”, “A (Má) Educação”, “O Estrangeiro”, “O Conformista”, ”A Técnica”, “A Arte”, “A Guerra”, “O Velho Oeste”, “O Brasil” e “O Amor”. Vamos então refletir sobre diferentes disciplinas filosóficas, tais como a metafísica, a epistemologia, a ética, a política e a estética.
Abrindo a mostra temos a reflexão sobre “O Perspectivismo” que parte de um fragmento de Nitzsche que põe em xeque tanto a crença em uma realidade objetiva existente em si mesma, quanto a crença em uma subjetividade transcendental comum a todos os homens. Os quatro filmes que integram este módulo permitem compreender o alcance ético, estético e ontológico do conceito de perspectivismo, central para todos os desdobramentos da Filosofia Contemporânea. As palestras mostrarão como Cidadão Kane do Orson Welles (21/05) problematiza a existência de uma realidade/identidade dada em si mesma, para além das múltiplas possibilidades de interpretá-la; como Gritos e sussurros do Bergman (28/05) e O crepúsculo dos deuses de Billy Wilder (4/06) apresentam distintos modos de compreender e lidar com a morte ou com a fragilidade dos projetos humanos; e como Psicose de Hitchcock (11/06) relativiza qualquer delimitação rígida entre o normal e o patológico.
Me ocorreu a possibilidade de postar as minhas "anotações de aula" no blog.
Bom, confesso que ando desorganizada, mas prometo fazer isso a partir do filme Crepúsculo dos Deuses de Billy Wilder.
Confira a programação completa do curso:
http://lavoroproducoes.com.br/historiadafilosofia/?page_id=36
ou
http://www.caixacultural.com.br/html/main.html
(o caixa cultural, além do curso, oferece outras programações de cinema muito boas como "Além das fronteiras: o cinema Suíço"; "20x Pornochanchada"; "Andy Warhol 16 mm" e "El deseo - O apaixonante cinema de Pedro Almodóvar").
Vendo como Simone (n 13)
Tão jovens os dois, e morrendo aos poucos. Era tão lento que não se via, sobretudo por fora, pareciam tão jovens a ponto dos anos passarem de dois em dois e ainda assim não se notarem mudanças nas faces. Lembrou da doçura da face dele. Por dentro morriam, eram comidos como cadáveres. As vezes podiam sentir as dores das mordidas.
domingo, 12 de junho de 2011
Vendo como Simone (n 14)
Minha morte é tão lenta. Ela pensou. Não me importo se ele a queira abreviar em algum momento, morremos por morrer. Já sei da dor do final do infinito. Agora sim nada mais pode me doer. Escolhi meu assassino. Posso me deixar morrer.
domingo, 29 de maio de 2011
Vendo como Simone (n 15)
Olhou para o lado, novamente o doce. Reconheceu o rosto de seu matador. Sorriu de amor e limpou as lágrimas do rosto. Pensou nas vezes em que ele a acertou com golpes mais doídos. Puxou o ar com toda a força, como quem se prepara para outro golpe. Virou seu rosto para ele:
É assim que me queres matar? (Pensou)
E ele continuava lá, adormecido ao lado dela, com o rosto mais doce que poderia fazer.
Eu (n 2)
eu sou aquele frio na barriga de quando você tem que ler um texto pra todo mundo na sala de aula.
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